OS ÓRGÃOS HISTÓRICOS do festival

IGREJA DE S. FRANCISCO

Na igreja de S. Francisco encontramos um conjunto de quatro órgãos históricos da autoria do genovês Pascoal Caetano Oldovino (1713-1785).

O restauro deste conjunto dotou a igreja de S. Francisco com o mais importante espólio deste organeiro italiano, radicado em Évora, convertendo-a no espaço com as melhores condições, únicas no sul de Portugal, para a execução de música a quatro instrumentos e policoral.

Foram intervencionados por Michel Formentelli, especializado na organaria renascentista e barroca italiana e francesa. As obras de restauro e conservação foram de carácter filológico, restituindo aos instrumentos, dentro do possível, a sua natureza original.

Órgão da capela mor de Pascoal Caetano Oldovino. Igreja de S. Francisco - Évora

ÓRGÃO DA CAPELA MOR

O órgão grande está instalado na capela-mor, numa varanda própria do lado do evangelho, tendo sido terminada a sua construção em 1743. É um instrumento de dimensões médio-grande, na base dos 12 palmos, resultando na sua construção o aproveitamento de material de um órgão aí existente. É um órgão de estética italiana misturando alguns elementos da escola ibero-lusitana do século XVII. Do instrumento antigo permanece grande parte do material sonoro da fachada, da caixa e da varanda.

Órgão pessoal de Pascoal Caetano Oldovino. Igreja de S. Francisco - Évora

ÓRGÃO PESSOAL DE OLDOVINO

Construído em 1762 e restaurado em 2005 por Pedro Guimarães, é um pequeno instrumento de armário, dito positivo, na base dos 6 palmos, também designado realejo. O órgão chegou com grande parte dos tubos até aos nossos dias, estando integralmente conservado em todos os seus aspetos originais. Por ser o órgão pessoal de Oldovino, deixado em testamento à Ordem Terceira de S. Francisco, é o instrumento mais italiano do conjunto. O órgão teve uma revisão por Michel Formentelli em 2018.

Órgão e banco na Sala da Tribuna Real. Igreja de S. Francisco - Évora

ÓRGÁO DA SALA DA TRIBUNA REAL

Este instrumento é um dos mais notáveis e requintados de Oldovino. É um órgão de construção e decoração singular, sendo transportável. Os aspetos construtivos apresentam hibridismo entre aqueles que são tipicamente italianos, com as influências da escola alemã. Está assinado e datado de 1751. Tem a rara particularidade de existir ainda o banco original, restaurado pelos técnicos da Oficina de Conservação e Restauro de S. Francisco. A sua proveniência original é do coro baixo da igreja do Convento do Salvador de Évora, tendo sido levado para o coro alto da igreja paroquial de Nossa Senhora de Machede quando da extinção do convento, de onde foi resgatado do estado de degradação em que se encontrava. Foi levado para a oficina Formentelli em Itália, onde beneficiou de um completo restauro e colocado na Sala da Tribuna Real.

Órgão do Cano. Igreja de S. Francisco - Évora

ÓRGAO DO CANO

Datado de 1751, possui uma exuberante decoração em chinoiserie dourada sobre fundo vermelho acharoado. O órgão é de uma enorme riqueza nos materiais utilizados sendo o teclado revestido a marfim, possuindo dois registos de cheio que conferem uma maior riqueza ao som de cheio de órgão. O instrumento, que se encontrava na igreja paroquial do Cano - Sousel em precárias condições, é proveniente do coro alto da igreja do Convento do Salvador. A caixa foi restaurada pelos técnicos da Oficina de Conservação e Restauro de S. Francisco e o instrumento pelo organeiro Michel Formentelli.

SÉ DE ÉVORA

A Sé de Évora possuía originalmente quatro instrumentos: dois órgãos renascentistas e dois órgãos barrocos.

Os órgãos renascentistas estavam adoçados ao coro alto sendo datados de 1562 e de origem flamenga.

Os órgãos barrocos encontram-se na capela-mor sendo o do lado do evangelho de dimensões médio-grandes e o do lado da epistola um instrumento de armário de Oldovino de 1762.

O instrumento de armário foi vendido para os Estados Unidos nos anos sessenta.

Órgão Renascentista da Sé de Évora

ÓRGÁO RENASCENTISTA

Datado de 1562, além da sua importância musical, detém um elevado valor cultural, histórico e artístico. É um dos mais importantes do património organístico português, pela sua raridade.

Tendo beneficiado de várias intervenções ao longo do tempo, foi remodelado por Pascoal Caetano Oldovino, que manteve a maior parte dos seus tubos do século XVI e construiu de novo apenas os considerados necessários.

Em 1967 o órgão foi restaurado pela firma Flentrop, trabalho de grande qualidade que se tornou num paradigma para as perspetivas do restauro internacional da época. Mais recentemente, em 2023, o instrumento beneficiou de uma intervenção de conservação e afinação, executada por Michel Formentelli.

Órgão Barroco da Sé de Évora

ÓRGAO BARROCO

O órgão foi terminado por Oldovino em 1758 tornando-se em um dos mais fulgurantes e apoteóticos órgãos do gosto rococó português, possuindo uma das mais belas caixas feitas no nosso país.

O instrumento possui um teclado de 45 teclas e um pequeno segundo teclado, de gaveta de eco de 24 teclas, com uma corneta de eco. Este órgão dialogava com outro pequeno de armário, também da autoria de Oldovino de 1762, colocado no coreto em frente que acolhia também um pequeno coro.

O órgão foi restaurado por Formentelli e será inaugurado em concerto no dia 9 de junho de 2024, no âmbito do FIOE.

IGREJA DO ESPÍRITO SANTO

A igreja do Espírito Santo possui um magnífico órgão de Cavaillé-Coll.

Entre 2020 e 2023 beneficiou de profundas obras de requalificação que lhe devolveram o seu esplendor e criaram condições para a sua abertura permanente ao público.

Durante o decorrer dos trabalhos, num projecto paralelo, o órgão foi levado para França onde foi restaurado pelo organeiro Bernard Hurvy.

Órgão de Cavaillé-Coll. Igreja do Espírito Santo - Évora

ÓRGAO DE CAVAILLÉ -COLL

Trata-se de um órgão romântico da autoria do famoso organeiro francês Aristide Cavaillé-Coll. O instrumento possui dois teclados e pedaleira e data do ano de 1884.

Foi originalmente adquirido em conjunto com o órgão de S. Luís dos Franceses pela duquesa de Palmela, D. Maria Luísa de Sousa Holstein. O órgão encontrava-se no palácio dos Duques de Palmela ao Rato, em Lisboa. Foi oferecido pelos herdeiros ao Arcebispo de Évora, D. Manuel Trindade Salgueiro em 1962, que por sua vez o ofereceu ao Seminário Maior de Évora que o colocou no coro alto da igreja do Espírito Santo nesse mesmo ano.

Terminadas as recentes obras de requalificação, o órgão foi reinstalado no ano de 2023.

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